Apesar de ser uma notícia com um ano e meio de postada no site www.portasabertas.org.br, ela é encorajadora por nos mostrar que ainda que alguém possa sofrer tanto, se o Senhor assim desejar, Ele faz o que parece impossível. E a liberdade de Ranjha é certamente um milagre e um grande testemunho para nós que vivemos sob a liberdade religiosa. É bem verdade que combatemos perseguições veladas, preconceito disfarçado. Mas, diante de histórias como a deste paquistanês, vemos que nossa vida é muito tranqüila! E que temos de honrar o presente que recebemos: além da salvação em Cristo, além de termos nascido em país cristão, ainda contamos com a liberdade assegurada por nossas leis – ao menos por enquanto.

Por isso, oremos por nosso país, nossos governantes, nossas leis, para que não sejamos afetados pela mordaça que o inimigo pretende lançar sobre nossa liberdade de amar, adorar e cultuar nosso Deus. E oremos também por aqueles que enfrentam toda espécie de adversidades, inimagináveis para nós, simplesmente por levarem o nome de CRISTÃOS. Um abraço, Carla.

 

Cristão absolvido conta como foram os anos na cadeia 

PAQUISTÃO (notícia de 07 de dezembro de 2006) – O cristão paquistanês Ranjha Masih, que foi absolvido pela Suprema Corte das acusações de blasfêmia, no dia 10 de novembro de 2006, revelou, após sua soltura, ao Centro para Ajuda Legal e Assentamento (CLAAS, sigla em inglês), que algumas autoridades da prisão e muitos muçulmanos de várias partes do país tentaram convertê-lo ao islamismo.

 “A administração da cadeia, a polícia e outros prisioneiros constantemente me pressionavam para eu me converter ao islamismo. Eles me disseram que eu poderia sair da prisão se recitasse a shahadat (principal declaração de fé no islamismo)”, afirmou Ranjha Masih em seu testemunho. Ranjha, que alega ter permanecido leal à fé cristã, contou: “Um dia, um oficial trouxe o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, e disse para eu pegar e recitar a shahadat.”

A autoridade disse a Ranjha que ele poderia evitar futuras detenções se convertendo ao islamismo, afirmou o cristão. “Eu disse a ele que, se para ser solto da prisão eu teria que negar Jesus Cristo, então eu não queria ser solto”, acrescentou. “Muitas pessoas de diferentes regiões do país entraram em contato comigo e me convidaram para me converter ao islamismo, prometendo que me tirariam da prisão, mas eu, fielmente, recusei a todos os convites”, afirmou Ranjha. “Durante esse tempo de tentativas, apareceram centenas de cartas e cartões de todas as partes do mundo fortalecendo a minha fé e me encorajando a lutar e a resistir ao mal. Sou grato a Jesus por todo fortalecimento e amor”, disse ele.

Descrevendo a perseguição que sofreu durante os oito anos e sete meses em que esteve preso, ele disse em seu testemunho: “Durante a minha detenção, eu apanhava todos os dias. Eles me vendavam, amarravam as minhas mãos nas minhas costas, amarravam meus pés e depois me batiam com tacos, bastões, me chutando e me esbofeteando. Eles me tratavam pior do que um animal”.

“Quando fui levado à prisão, o diretor de lá avisou que ninguém tinha permissão para falar comigo. Várias vezes, eles me trancaram em uma cela o dia todo”, informou. “Eu tinha que subornar os guardas para que me deixassem sair da minha cela por uma ou duas horas. Eles, freqüentemente, me davam trabalho pesado para fazer. O amor e a graça de Deus me ajudaram a permanecer fiel durante essa experiência”, acrescentou em seu testemunho.

“Os guardas me pediram nomes de outros cristãos para que pudessem prendê-los e importuná-los. Em uma ocasião, eles me levaram para uma área afastada e me mandaram fugir. Eu me recusei e disse que eles teriam de me matar e dizer ao mundo que eu tinha sido morto pela polícia.”

“Numa outra vez, eles me bateram, até eu quase perder os sentidos, tentando arrancar de mim o nome de outro amigo cristão. Eles insistiam para que eu dissesse, mas permaneci em silêncio. Enquanto eles estavam me espancando, eu comecei a cantar um hino cristão. Quando eles me ordenaram que eu explicasse o que eu estava falando, eu respondi: “Vocês estão me espancando para me fazer falar. Agora que eu estou falando, vocês reclamam.”

Ranjha, que chamou sua absolvição de “um grande milagre”, acrescentou: “Durante os últimos oito anos, minha esposa e filhos sofreram muito, mas eles demonstraram uma imensa coragem, paciência e perseverança. Sou grato a Jesus pela minha família maravilhosa”. “Um dia minha neta foi me visitar na prisão. Ela me consolou com as ternas palavras de que Jesus iria me tirar de lá no momento certo.”

Ranjha também agradeceu ao CLAAS e a Wasim Muntizar, que o ajudaram durante a sua prisão.

“Eles trabalharam incansavelmente para me tirar da prisão. Quando fui preso, minha esposa pediu ajuda a todos que conhecíamos para ajudarem em meu caso, incluindo alguns cristãos influentes. O CLAAS se dispôs a assumir meu caso e, por essa razão, sou muito grato a Deus por eles”, afirmou Ranjha Masih. Um informativo do CLAAS divulgou que Ranjha está com a saúde muito comprometida devido “às condições atrozes da prisão e dos repetidos espancamentos que Ranjha sofreu.” O boletim também afirma: “Ele sofre de hemorróidas, dores severas nas juntas do joelho por causa da artrite reumática, insônia e diabetes. Na cadeia lhe foi negada a atenção médica devida. Como resultado disso, muitas de suas dores pioraram progressivamente. No dia 23 de novembro ele deu entrada em um hospital particular para fazer tratamento. Sua esposa está com ele, assim como um membro da CLAAS.” O boletim também pede aos cristãos que orem pela saúde de Ranjha, para que ele se recupere rapidamente.

Tradução: Leila da Silva
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