Conselhos para sobreviver ao Mundo Gospel

Por Ricardo Gondim

O mundo gospel se torna cada dia mais patético; distante do protestantismo; em rota de colisão com o cristianismo apostólico; transformado numa gozação perigosa; adoecendo e enlouquecendo milhares que são moídos numa engrenagem que condena a um duplo inferno.

Não consigo responder a todas as mensagens que entopem minha caixa postal. Milhares pedem socorro. Eu precisaria ter uma equipe de especialistas, todos me ajudando a atender os que me perguntam: “ a maldição do pastor vai pegar mesmo?”; “é preciso aceitar as patadas que recebo do púlpito?”; “em nome da evangelização, devo aturar esses sermões ralos?”.

Realmente não dá mais. A grande mídia propaga o que há de pior entre os evangélicos com petição de dinheiro, venda de “Bíblias fantásticas”, milagres no atacado e simplismos hermenêuticos. As bobagens alcançaram níveis intoleráveis.

O que fazer? Tenho algumas idéias.

Aconselho que os crentes parem de consumir produtos evangélicos por um tempo. Não compre CD de música ou de pregação – inclusive os meus. Deixe os livros evangélicos encalharem nas prateleiras – idem, para os meus. Depois que baixar a poeira do prejuízo, ficará notória a diferença entre os que fazem missão e os que só negociam.

Não vá a congressos – inclusive o que eu promovo. Passe ao largo dos “louvorzões”. Não sintonize o rádio. Boicote todos os programas na televisão. Não comente, nem critique, a pregação de pastores, bispos, evangelistas e apóstolos. Afaste-se! Silencie! Desintoxique mente, alma e espírito da linguagem, pressupostos e lógicas da “teologia da prosperidade”. Volte a ler a Bíblia sem nenhum comentário de rodapé. Alimente seu interior em pequenos grupos. Reúna-se com gente de bom senso.

Estanque seus dízimos e ofertas imediatamente. Repense com absoluta isenção onde vai dar dinheiro. Mas prepare-se; no instante em que diminuírem as entradas, os lobos vestidos de pastor subirão o tom das intimidações. Não tenha medo. Faça essa simples auditoria antes de investir o seu suor em qualquer igreja ou ministério:

  • Quanto tempo é gasto no culto para pedir dinheiro?
  • A hora do ofertório vem acompanhada de uma linguagem com “maldição, gafanhoto ou licença legal para ataques do diabo”?
  • Prometem-se “prosperidade, colheita abundante, bênção, riqueza”, para os que forem fiéis?
  • Existe alguma suspeita na administração dos recursos arrecadados? – Lembre-se que há dois níveis de integridade: o ético e o contábil. Não basta manter os livros em ordem; o dinheiro também só pode ser gasto no que foi arrecadado.

Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, ninguém deve se sentir culpado quando não der oferta.

Só haverá arrependimento no dia em que os auditórios se esvaziarem junto com uma crise financeira – o monumental ufanismo evangélico precisa deflacionar.

Concordo, ninguém agüenta o jeito como as coisas estão.

Soli Deo Gloria.

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There are 6 comments

  1. yara

    Acho que minhas palavras não foram bem interpretadas. Em momento nenhum quero que os irmãos deixem de dar o dizimo. Quero apenas que entendam que não adiante dizimar cumprir ritos legais, ir a Igreja todo o santo Domingo e não procurar conhecer e amar a Deus. Jesus chamou os farizeus de hipocritas, porque eles eram cumpridores assiduos da lei mais nunca amaram o amaram.

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  2. yara

    Olá como estão todos?
    Eu não pude ficar calada depois que terminei de ler o artigo. Já há algum tempo eu já tomado essa decisão eu já havia tomado essa decisão.
    Sabe, se tem uma pessoa que já foi em congresso, leu livros, ouviu cds, e viu dvds, buscando com toda a ansiedade saber mais sobre o evangelho, essa pessoa sou “EU”. Todos me conhecem muito bem. Já meti os pés pelas mãos muitas vezes. Mais nunca desistir de buscar o que eu queria; e o que eu sempre desejei era saber o que é realmente o que era obra de Deus. Nos últimos dias tenho me perguntado o que realmente queremos com Deus. Sempre quando eu entrava nas igrejas o que eu via era: _ Santifica-se, deixe o mundo Deus não se agrada;
    _ Seja dizimista e receba a propesridade;
    – Participe de um ministério Deus se agrada de quem trabalha na obra; etc……

    Mais em todas as pregações uma coisa me deixava intrigada, como me separar do mundo e não conhecer aquele para quem sou separada? como dizimar somente para enriquecer e depois o que isso vai me render na realidade?
    Precisamos primeiro amar a Deus pedir a Ele amor por Ele, se não estaremos sendo como fariseus hipocritas que faziam por fazer por causa de ritos e interesse próprio, devendo o nosso único interesse apenas ama-lo. O resto ele acrescenta.Tenho lido nesta semana ato dos apostolos, de uma forma que eu nunca havia lido em minha vida, eu me transportei para o tempo de Paulo e me coloquei em seu lugar e vislumbrei um homem, que amava profundamente Aquele que havia lhe perdoado, quando ele mesmo o perseguia. E seu amor plantado pelo próprio Deus foi tão profundo, que o viver para ele era Cristo e o morrer era lucro. Sua maior ânsia era ir morar no ceus com seu Pai e redentor. Me digam pregam isso ainda nas Igrejas?

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