A nova moda literária

Poster do filme.Não sou muito velho, porém não sou muito novo, o que me dá, portanto, um pouco de liberdade para dar uma pitada nesse assunto. A moda literária que vou abordar envolve indiretamente a influência da indústria cinematográfica. Então me pergunto: como seria a indústria literária hoje, se os livros ou HQs não tivessem sido adaptados?

Pra começar, vamos lembrar-nos de anos e anos atrás, quando uma literatura de rara e real qualidade era produzida – não que hoje não haja qualidade, mas já não é nada raro.

Se formos procurar e ler os temas abordados antigamente, vemos que muitos deles são extremamente criativos e geralmente novos ou não muito comentados, o que dava um brilho especial pra cada obra. Ainda, quando um gênero fazia muito sucesso, não muitos se aventuravam a trilhar por tais caminhos – em comparação aos dias de hoje pelo menos – o que reforçava na consagração de um ou poucos autores em cada ramo da literatura, ou em cada tema abordado.

Aconteceu que um rapaz, hoje, mundialmente conhecido, chamado J.R.R. Tolkien, filólogo e professor em uma grande universidade inglesa, em seus estudos dos mitos antigos acabou por “criar” um novo gênero da literatura – ou ao menos ser a base para a elevação deste. Não só ele, mas muitos de seus amigos estudiosos, não muito conhecidos na Brasil, mas muito conhecidos pela Europa – sendo destes, C.S. Lewis o mais famoso – se lançaram a este gênero ou afins. O gênero pode ser descrito como Conto de fadas para adultos, ou seja, o uso da literatura fantástica, o mito, geralmente como um pano de fundo para mostrar a todos sua percepção da realidade, ou de uma realidade por nós não percebida e até esquecida ou deixada de lado.

Após a publicação dO Hobbit, alcançando fama mundial, Tolkien provou que se era necessário e seria muito bem aceito tal novo gênero literário, e devido a isso foi-lhe requisitado uma continuação.

Claro, Tolkien não aceitou o desafio para agradar os incontáveis fãs, mas justamente por ver ali uma grande oportunidade para divulgar todo o seu mundo que já havia criado anos antes, a qual sua narrativa ia timidamente evoluindo.

Com um zelo quase ciumento por sua obra, Tolkien se lança a escrever o novo O Hobbit. Acaba até por inventar sua versão dos elfos, a qual predomina nos dias de hoje. Igualmente C.S. Lewis, também muito conhecido, lança-se a escrever histórias sobre um mundo fictício chamado Nárnia, com influências, claro, muito marcantes de Tolkien, porém nada que possamos dizer que seja uma cópia. O que podemos ver de mais semelhante entre as obras de Tolkien (O Senhor dos Anéis) e Lewis (As Crônicas de Nárnia) se resumem às árvores, anões, e ao gênero de literatura.

Mas não podemos lançar Tolkien como um supremo mito da literatura, como o autor mais inteligente, ininfluenciável e criativo que houve. Devemos agradecer, a Deus primeiro, claro, e em segundo lugar a Lewis pela grandiosa obra de literatura intitulada O Senhor dos Anéis.

Enquanto Tolkien escrevia aos poucos o seu épico, foi Lewis que o chamou para participar dos Inklings. Lá, vários escritores de renome – no tempo só eles e seus respectivos alunos os conheciam – se juntavam e liam uns para os outros trechos de suas obras, e então discutiam sobre tais. Neste tempo foi que todos se influenciaram, e prova disto são os elementos – poucos ou muitos – comumente presente nas obras de todos os membros deste grupo.

Infelizmente, Tolkien foi vetado de falar sobre sua obra, no caso o novo O Hobbit. Devido a isso e à grande dificuldade de dar continuidade a uma obra tão grande como esta, Tolkien só não desistiu de escrever – e fazia bem mais de cinco anos que ele labutava nesse livro – pelo fato de Lewis persistentemente dar seu apoio e ouvir atenciosamente, muitas vezes até se emocionando, à leitura de determinados trechos.

Enfim, surge um fenômeno mundial.

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About Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

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