Procrastinação: leia isso hoje, ou, se preferir, amanhã

THE NEW YORK TIMES
Alina Tugend
Estamos em fevereiro e a maioria de nós, se é que nos demos ao trabalho de fazer resoluções de Ano Novo, já as quebramos.

Ou talvez tenhamos apenas adiado o começo delas. Talvez estejamos, sim, procrastinando.

Até que eu começasse a pesquisar sobre isso, não tinha percebido que a procrastinação era um campo de estudo tão fértil para tantas pessoas e que havia tantos tipos diferentes de procrastinadores, procrastinando de muitas maneiras distintas.

Nem eu sabia quando dinheiro isso pode nos custar.

Como? Não guardando dinheiro para a aposentadoria, demorando para atender a necessidades médicas até que elas se tornem muito mais sérias, saindo para fazer as compras de Natal no último minuto com cartão de crédito porque não temos tempo para caçar descontos e, como muitos já descobriram, esperando muito tempo para vender uma ação.

O americano médio que procrastina o pagamento de impostos, paga US$ 400 dólares a mais por causa de erros cometidos na pressa, resultando em US$ 473 milhões em pagamentos adicionais em 2002, disse Piers Steel, um professor associado de recursos humanos e dinâmicas organizacionais na Universidade de Calgary. Ele está escrevendo um livro sobre o assunto, “A Equação da Procrastinação” (Editora Collins), que deve ser lançando no ano que vem.

Espere aí. Não há um pouco de procrastinação em todos nós? Por exemplo, mesmo que eu saiba muito bem a importância de atualizar um testamento, meu marido e eu deixamos a tarefa de lado há anos.

Mas quando fiz o teste “Measure My Procrastination” [“Meça minha Procrastinação”] no site de Stell (procrastinus.com), fiquei abaixo da média – 30 de 100 pontos, com a observação de que eu “só procrastino ocasionalmente”. A pesquisa também descobriu que, apesar de eu ter ‘alguns impulsos irracionais ou distrações”, eu sei como controlá-los.

Sim, disse Timothy A. Pychyl, professor associado de psicologia na Universidade Carleton de Ottawa, todos nós perdemos tempo ou arrastamos os pés às vezes. E às vezes fazer uma pausa e olhar pela janela ou fazer uma caminhada é exatamente o que precisamos.

É por isso, diz ele, que “toda procrastinação é um atraso, mas nem todo atraso é uma procrastinação”.

“É a diferença entre a tristeza e a depressão”, disse. “A procrastinação é um problema complexo de auto-regulação”, com ênfase não apenas no fato de adiar algo, mas num atraso irracional autoderrotista – e acontece em algumas, se não tem todas, áreas da vida de uma pessoa.

E a procrastinação não apenas perde tempo e dinheiro; ela pode afetar seriamente os relacionamentos com colegas e parentes.

“A emoção que está mais associada à procrastinação é a culpa, e está claramente relacionada à redução do bem-estar”, disse Pychyl.

A procrastinação não é nada novo. Os acadêmicos citam referências de documentos militares antigos de gregos e romanos além de textos religiosos do século 15 que a denunciam como um pecado. Mas com a chegada de toda a nossa tecnologia para a distração, incluindo e-mail, telefone celular e sites de redes sociais, ficou cada vez mais fácil passar horas incontáveis evitando fazer aquilo que deveríamos estar fazendo.

Quantas vezes nós já dissemos: “Vou checar o e-mail, vai levar só um minuto”, e três horas depois ainda estamos na frente do computador?”, pergunta Pychyl. “A tecnologia nos dá recompensas imediatas sem que saiamos de nossas cadeiras. Sabemos que 50% do tempo que as pessoas estão online, elas estão procrastinando”.

Tradução: Eloise De Vylder

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