Rolezinho é bom, só que não

Uma moda surgiu e vem ganhando espaço (à força) entre a juventude paulista: o rolezinho.

Para quem não sabe, o rolezinho é praticamente uma turba de jovens, que normalmente ultrapassa o número de 500 pessoas e pode chegar a mais de 2 mil jovens, que se encontram em algum lugar pré-determinado para fazerem absolutamente nada. Isso mesmo, nada.

Daí o problema começou quando começaram a marcar eventos do tipo em shoppings. Então o leitor pode imaginar que é normal muitas pessoas irem ao shopping e apenas passearem, consumirem nada ou quase nada. Mas quando isso acontece, o grupo, quando muito grande, mal passa de uma dezena de pessoas. Imagine então essa dezena se transformando em um milhar. Obviamente que iria dar problemas.

Vários criminosos aproveitaram a multidão e começaram a depredar os shoppings e em alguns casos a inclusive assaltar as lojas. Como estavam no meio de uma multidão, a segurança foi praticamente anulada. Daí um grupinho aqui começou a fazer um pouquinho mais de barulho, e de repente outro grupinho ali, e quando foram dar conta, o rolezinho já havia se tornado um tumulto, uma confusão generalizada dentro do shopping. Vários clientes preferiram sair logo de lá e ao mesmo tempo várias lojas fecharam suas portas no meio do expediente.

Aconteceu que os shoppings conseguiram na justiça uma liminar que garantia aos mesmos poderem reagir à altura. Até aqui tudo bem. Vimos a civilidade ganhando mais uma causa. Só que não. Várias pessoas esquerdistas, digo até doentes mesmo, começaram a bradar em plenos pulmões que isso era inadmissível, era o preconceito e a discriminação contra pobres e negros na cara dura, era a sociedade hipócrita sambando sobre os desfavorecidos.

Se você, leitor, em algum momento concorda com o que essas pessoas disseram, imagine-se tendo de atravessar um corredor de um shopping com as lojas fechadas – ou seja, qualquer problema não vai ter abrigo – e lotado de baderneiros, sendo alguns literalmente assaltantes, apenas esperando a vítima. Lembre-se que a qualquer momento parte desses baderneiros pode simplesmente vir lhe incomodar sem razão alguma. Imagine agora, você com sua família, esperando a seção do cinema, e antes disso, vocês estão na praça de alimentação, enchendo a barriga para aguentar umas 2 horas de filme. De repente dos corredores aparece mais de 500 pessoas correndo. Sua reação óbvia, seria o medo, e das duas uma, ou você se distanciaria da turba – até correndo – ou procuraria puxar todos os seus familiares para ficarem todos próximos e segurando e escondendo seus pertences.

Mas enfim, esquerdistas doentes não conseguem imaginar essa situação. Para eles todos os cidadãos deveriam reagir com naturalidade diante dessa turba e atravessar o corredor sem medo, ou mesmo ficar indiferente à multidão que está correndo em sua direção. Qualquer coisa fora disso é preconceito e discriminação e você merece ir para a cadeia.

Enfim, como a mentalidade desse povo é abaixo do normal, o Datafolha fez uma pesquisa e apenas comprovou o que a maior parte dos brasileiros normais já imaginava quanto ao rolezinho.

A pesquisa teve como resultado o fato de mais de 80% dos paulistanos serem contra os rolezinhos, exceto entre os jovens. Mas ainda assim 70% dos jovens (de 16 a 24 anos) são contra. Quanto à escolaridade, mais de 80% dos que possuem até nível médio ou até nível fundamental são contra. A resistência diminui um pouco sobre aqueles que possuem nível superior. E todo mundo sabe que as áreas humanas nas universidades são reduto de esquerdistas, e por incrível que pareça é também reduto dos maconheiros (coincidência?). Mas ainda assim, leitores, 79% dos que possuem nível superior também são contra.

Quanto à renda familiar mensal, o Datafolha dividiu os entrevistados em quatro grupos: (1) até 2 salários mínimos, (2) de 2 a 5, (3) de 5 a 10 e (4) mais de 10 salários mínimos. Nos três primeiros grupos, mais de 80% são contra. Isso mesmo, os pobres são contra. Bem diferente do que dizem os esquerdistas sobre preconceito de classe social. A não ser que os pobres sejam os maiores preconceituosos contra eles mesmos. De qualquer forma os esquerdistas falavam apenas do preconceito dos ricos contra os pobres. Do quarto grupo, 71% são contra. Apesar de ainda ser muito, mas é bem abaixo dos outros grupos. Mas é como disse Reinaldo Azevedo, em outras palavras: no Brasil os esquerdistas é que são ricos, mas passam longe de compartilhar sua riqueza com os necessitados, como tanto pregam. E são esses, mais afortunados, os que mais bradaram contra a liminar conseguida pelos shoppings.

Por fim, 68% dos que se declaram negros e 77% dos que se declaram pardos discordam de haver preconceito racial na atitude dos lojistas e dos shoppings.

Portanto, a luta a favor dos rolezinhos é bancada apenas por esquerdistas doentes, bandidos que querem se aproveitar, gente literalmente burra, pessoas irredutivelmente manipuladas pela esquerda, ou por aqueles que querem ser politicamente corretos, mas nunca participaram e nem foram ameaçados por um rolezinho. Bem, a pesquisa está aí para provar o contrário do que diziam. O rolezinho precisa ser modificado e mudar de lugar, ou ser extinto.

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About Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

There are 10 comments

    1. Evandro Rocha e Silva

      Olá Rebeka. Como escrito no texto, não há problema nenhum. O problema é quando isso passa de uma diversão em grupo [pequeno] para se tornar uma turba incontrolável que permite muitos criminosos se aproveitarem da situação.

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    1. Evandro Rocha e Silva

      Oi Paulieny, por favor, deixe claro ao menos alguns pontos do texto em que você sentiu preconceito no texto. Quanto aos partidos políticos, deixei-os de lado, não cito qualquer um! Entretanto critiquei uma posição política, mas tentei evitar generalização. Por exemplo, poderia ter criticado todos os esquerdistas, mas em vez disso critiquei somente os “esquerdistas doentes”, i.e., aqueles cujo pensamento sofre uma grave influência da esquerda, onde o correto seria apenas ter os pensamentos coincidentes. E ainda mais especificamente somente aqueles que tiveram audácia de soltarem pérolas sobre o caso. Desculpe se não está tão claro assim no texto. Prometo que vou tentar melhorar minha escrita!

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    2. Juliana Shawbert

      Oi Paulieny! Não que eu tenha concordado com tudo do post, mas não foi citado partido no tetxo.
      Mas se você quer saber, o presidente do PT já disse que apoia tudo isso. Então, ta aí!

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