Panem et Circenses: Nem só de Pão e Circo viverá o Homem

Política do Pão e Circo (panem et circenses) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a massa em geral, para mantê-la fiel ao status quo e conquistar o seu apoio.

Em tempos de crise, as autoridades acalmavam o povo com a construção de enormes arenas, nas quais realizavam-se espetáculos envolvendo gladiadores, animais ferozes, corridas e artistas de teatro.

Paralelamente, imperadores garantiam a distribuição de cereais mensalmente no Pórtico de Minucius. A estratégia garantia que a plebe não morresse de fome e descontentamento, conservava a população contente e apaziguada, e consolidava a popularidade do imperador.

Pão e Circo nas Igrejas

Também frequentemente relacionada à Política Brasileira em associação ao assistencialismo, às novelas e ao Futebol, a política do Pão e Circo pode ter também chegado ás Igrejas!

Quando a “diversão” e o “entretimento” passam a ocupar as celebrações, desviando o foco do real sentido do ato de Cultuar, temos aí uma forte estratégia para se esconder o vazio de doutrinas e teologias tortuosas. A necessidade de atrair pessoas, e de mantê-las no seio da igreja, tem feito dos cultos e demais celebrações grandes Espetáculos onde tem acontecido de tudo, menos o devido tributo ao Deus Vivo.

Antes que passemos por céticos é preciso esclarecer que o real motivo de se abordar tal tema não é a crítica gratuita, ou a manutenção de costumes meramente humanos, mas a constatação de uma total incompreensão dos reais sentidos do culto que envolvem dentre outras coisas, a oração, a adoração, o louvor cantado e o recebimento da palavra de Deus em nossos corações.

O Culto Bíblico

Ainda que não seja possível apontar uma “fórmula” no Novo Testamento para celebrarmos a Deus, amiúde, é possível enxergar à luz da Palavra, alguns elementos comuns nas celebrações! Em Atos, observamos uma constante alegria por parte dos crentes, por compreenderem a graça da Salvação.

Em João 4:23, vemos os fundamentos da Adoração autêntica: Adorar em espirito e em Verdade! Trata-se de prestar um culto sincero, reconhecendo que Deus é um ser espiritual e que deve ser adorado de forma espiritual e não pelos ditames da carne; bem como, de depositar nossa emoção e nosso entendimento no conhecimento de quem Deus é. Cristo aborda não os aspectos secundários como o “quando” e “onde” adorar, contudo vai ao epicentro da questão ao tratar da Essência da Adoração.

“No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura”. João 4:23

Adorar de forma que sejamos entregues à nossa emoção com a justificativa de que o ato é sincero é um caminho perigoso. Já alertou Jeremias 17.9, “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”.

Em Isaías 1:10-17 vemos que o povo vinha até a presença de Deus, cultuava mas não mudava de vida. Esse povo, aparentemente, participava com animação de todos os trabalhos religiosos, fossem festas, convocações, solenidades etc. E ainda era um povo muito dedicado à oração, mas de forma altamente emotiva, pois eles “estendiam as mãos” e “multiplicavam as orações(v.15). Mas Deus disse que em hipótese alguma ouviria, pois eram mãos contaminadas e, certamente, orações vazias.

Uma igreja deve promover um ambiente de graça e confrontação, capaz de gerar arrependimento, acolhimento, aprendizado, desenvolvimento e ação! Se os supostos fenômenos “sobrenaturais” ocupam o centro do culto, isso pode ser chamado de Adoração Autêntica? Existem muitos outros aspectos, infinitamente mais relevantes, a serem tratados em nossa personalidade ou caráter, do que a capacidade de falar coisas ininteligíveis, fazer barulho ou cair no chão! Seja qual for o contexto, a Bíblia nunca nos deu evidências de que deveríamos celebrar de forma descontrolada e irracional.

O Pão e o Circo funcionam bem como distração, mas não matam a fome que só a Palavra que sai da boca de Deus pode matar e muito menos nos proporcionam a Paz e a Alegria que excede todo entendimento.

Foquemos na simplicidade daquilo que é importante e aprendamos a nos alegrar e a expressar a nossa gratidão a Deus na singeleza de nossos gestos e na sinceridade de nosso coração de forma espiritual e verdadeira!

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Romanos 12:1.

Imagem de abertura: StampMedia • Licença Creative CommonsStampMedia no Flickr

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About Junior Soares

Júnior Soares é Licenciado em História, professor da Rede privada de ensino atuando do ensino fundamental ao ensino superior. Como músico tem atuado no cenário evangélico desde os 13 anos e é atualmente membro da Igreja Batista da Tabuleta. Um admirador do Protestantismo Histórico Reformado, em especial, do Calvinismo.

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