Carta aos aflitos de coração

Ah, a dor! Quantas canções, poemas e novelas foram embalados por ela. É incrível como o drama ainda atrai nossa atenção, ainda que sejamos a sociedade dos anestésicos, dos placebos e antidepressivos. Mesmo que a dor ainda exerça um certo fascínio, estamos constantemente a combatê-la e se não conseguimos evita-la, tentamos retarda-la.

Mas que aproveitamos nós de tais mazelas? Como a recebemos e como nos propomos a passar por suas etapas, que são quase sempre tão indefinidas? Como suportar uma dor, que ainda que não se estenda para sempre, durará uma eternidade até que passe? Quisera eu ter respostas tão claras, e assim eu trataria dos meus próprios desconfortos. Mas existe Alguém que entende bem melhor do assunto. Deixemos que Seu exemplo nos diga algo respeito!

Como suportar uma dor, que ainda que não se estenda para sempre, durará uma eternidade até que passe?

Einstein e a Anedota sobre o Mal

Conta-se uma história que o menino Einstein, ainda na escola, fora incomodado com a afirmação de um professor quanto a inexistência de Deus. O mestre sustentava a sua tese baseado no fato de que a existência do mal era incompatível com a existência de um Deus Bondoso. Einstein teria retrucado e dito que assim como a escuridão é a ausência de luz, e o frio é a ausência de calor, o mal é a ausência de Deus e não a sua inexistência.

…os momentos de dor e crise pelos quais passamos não são necessariamente um sinal da ausência de Deus, mas um forte indício do cumprimento de seus propósitos em nossas vidas.

Por mais bela que soe a historinha acima, na prática, mesmo o Mal pode ser um sinal da presença do Senhor. Isso significa que os momentos de dor e crise pelos quais passamos não são necessariamente um sinal da ausência de Deus, mas um forte indício do cumprimento de seus propósitos em nossas vidas. Não apenas quanto ao que tange nossa vida particular, mas para com todo mundo, existe um motivo superior para que passemos por momentos maus em nossas vidas. É certo que nem sempre compreenderemos tais propósitos de imediato e talvez, nunca compreendamos alguns deles. Mas aceitar tal verdade é também um ato de fé. É uma expressão da certeza da esperança e a convicção daquilo que não podemos ver.

Deus, nós e o tempo

Existe em nós uma capacidade um tanto limitada de enxergar a realidade em nossa volta. Mesmo em uma fração de segundos nosso cérebro, por operar em baixíssima capacidade de processamento, seleciona aquilo de mais relevante para ser guardado. Se considerarmos nossas experiências a cerca dos últimos dias, temos uma visão um tanto parcial quanto as coisas que nos acometem. Tudo isso por que temos uma visão temporal da vida, baseado em nossas perspectivas que se estendem por dias, semanas, anos e décadas. Deus em sua onisciência consegue enxergar a vida pelos olhos da eternidade, sem as barreiras que a temporalidade nos impõe. Em outras palavras, aquilo que nos aflige e que parece não ter qualquer conexão com um propósito superior, já foi vislumbrado por nosso Deus, que tem acompanhado nossa história desde o ventre materno e nos contemplará nesta terra até o último dos nossos dias. O Senhor sabe as consequências de cada uma de nossas escolhas e de cada experiência que temos vivido.

Mesmo nós, somos capazes de contemplar algumas dessas situações com o decorrer do tempo. É como tentar observar um objeto muito próximo dos olhos. Certamente o veremos distorcido, bem diferente de quando nos distanciamos deste.

Aprendendo com quem entende do assunto

Não quero aqui subestimar os nossos sentimentos. Cada um de nós tem passado por diversas lutas. Não gostaria que esse fosse um artigo de autoajuda, com expressões do tipo “vai passar”, “você vai conseguir” ou a “a vitória já é sua”. Mas quero enfatizar alguns exemplos bíblicos de pessoas que passaram por maus bocados.

Não precisamos fingir força, ou tentar arrumar paliativos para nossas dores. Não devemos entrar nesta competição social para ver quem é mais feliz.

Podemos citar entre eles o Profeta Jeremias, Jó, David, e o próprio Cristo. Todos eles passaram por lutas pessoais que de alguma forma consumiram suas forças e geraram um grande sofrimento. Veja que grande mal sofreu o Cristo, mesmo sendo inocente de qualquer culpa. Mas algo que podemos aprender com eles é que mesmo com tanto sofrimento foram capazes de demonstrar uma grande fé no Deus Vivo. Não é fácil ver o seu povo sendo destruído, olhar para todos os lados e ver seus inimigos avançando, perder todos os bens, funcionários, filhos, ou mesmo ter os pecados de todos nós depositados na cruz de forma injusta. Quanto sofrimento tais homens passaram? Mas o fato é que mesmo em meio às lagrimas e a dor extrema eles se mantiveram firmes na crença de que existia um Propósito de Deus em todas as coisas. Não blasfemaram contra Deus, mas suportaram os momentos de luta, solidão, traição, desespero e dor.

Da mesma forma, Deus tem usado nossas lutas para cumprir seus propósitos, para nos ensinar o caminho da humildade, da paciência, da mansidão, da fé, da esperança e do amor. Talvez não sejamos capazes de perceber tais coisas de imediato, mas se somos de fato regenerados, logo perceberemos a mão de Deus agindo em nossas vidas. Deus usará nossos testemunhos para abençoar outras vidas e certamente estaremos ainda mais próximos do caráter de Cristo, porque de alguma forma também compartilhamos de algumas das dores pelas quais passou o Filho de Deus.

Conclusão

Pensemos sobre nossos propósitos nesta vida. Não fomos trazidos para este mundo para fazer dele um grande parque de diversões. Fomos colocados aqui para glorificarmos a Deus com nossas vidas. Deus espera que sejamos capazes de glorificá-lo em todos os momentos, na dor e na prosperidade. Em ultima estância, tudo o que tem acontecido em nossas vidas é fruto da permissão de Deus, que, se não nos tem poupado de certos males, é porque possui propósitos superiores para que eles existam.

Jeremias, Jó, David, e o próprio Cristo. Todos eles passaram por lutas pessoais. Veja que grande mal sofreu Jesus, mesmo sendo inocente de qualquer culpa. Mas algo que podemos aprender com eles é que mesmo com tanto sofrimento foram capazes de demonstrar uma grande fé no Deus Vivo.

Lembre-se que Ele não poupou o seu próprio filho de tão terríveis sofrimentos, a favor da concretização de nossa salvação. Por que Ele nos pouparia? Não precisamos fingir força, ou tentar arrumar paliativos para nossas dores. Não devemos entrar nesta competição social para ver quem é mais feliz. As redes sociais estão repletas de pessoas vazias que tentam exibir um bem estar egoísta, em festas, viagens, currículos, carros, “amores”, eventos de igreja, ministérios etc. Mas isso nunca foi garantia de caráter, humildade, misericórdia, perdão, sabedoria e paciência. Virtudes estas que em muitos momentos o Senhor nos ensinará por meio das provações.

Somos humanos e, da mesma forma que transbordamos humanidade em nossas alegrias, também podemos fazê-lo em nossos momentos de dificuldade. Olhe para o lado e comece a perceber as faíscas de esperança que estão contidas em meio ao caos da batalha. Entregue suas feridas, dores, traumas e sentimentos como oferta de Adoração a Deus. Em alguns momentos isso é tudo o que temos a oferecer. Você encontrará nEle alguém que sabe o que é sofrer, que não exige que você seja imbatível, que não quer que você apareça sempre sorrindo nas fotos, que não negligenciará as suas dificuldades e não brincará com seus sentimentos.

Nunca se esqueça que o Senhor não resiste a um coração quebrantado.

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About Junior Soares

Júnior Soares é Licenciado em História, professor da Rede privada de ensino atuando do ensino fundamental ao ensino superior. Como músico tem atuado no cenário evangélico desde os 13 anos e é atualmente membro da Igreja Batista da Tabuleta. Um admirador do Protestantismo Histórico Reformado, em especial, do Calvinismo.

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