À procura da Honestidade

Nos últimos dias tenho procurado pela minha amiga Honestidade e tem sido difícil encontrá-la. Primeiro a procurei no meu ambiente profissional e me deparei com sua irmã, não muito amiga, a Desonestidade. Ela estava com funcionários públicos que diziam abertamente que tínhamos que meter a “faca” no Estado, porque neste lugar só tinha ladrão, então é preciso aproveitar primeiro, ou seja, roube antes de ser roubado! Todavia, eu perguntei: — Como fazer isso? — O amigo funcionário respondeu: — Use os bens públicos como se fossem seu; gaste papel; use o telefone a vontade; use o carro oficial em benefício próprio; se vai viajar, pegue notas a mais, afinal de contas, não é dinheiro seu, deixa de ser besta!

Saindo do trabalho fui visitar um amigo que trabalha em uma empresa de prestação de serviços, isso porque eu pensei comigo que lá encontraria minha amiga Honestidade. Entretanto, vejo novamente a danada da Desonestidade junto com funcionários, inventando doenças e entregando atestados médicos falsos no departamento de pessoal, e empresários não pagando as horas extras dos funcionários que se empenhavam em cumprir suas funções.

Não aguentando tanta corrupção, sai pelas ruas à procura da Honestidade. Quando cheguei ao ponto de ônibus vi um jovem roubando pessoas e estas xingando o rapaz, pois não sabiam que o mesmo roubava porque havia perdido a esperança no ser humano (o que não justifica o seu erro, mas, alivia a sua consciência).

Depois da longa caminhada fui para casa. Talvez minha amiga tenha ido me visitar, pensei eu. Mas, ao chegar em casa a esperta da Desonestidade foi quem encontrei. Primeiro encontrei meus parentes instalando a TV paga com antenas piratas e roubando crédito de celular através de códigos. Eu disse que era errado, porém todos disseram que não tinha nadinha, porque todo mundo fazia. Aí percebi que haviam colocado um “gato” na água e na luz da casa. Eu falei que não podia e argumentaram que as contas estavam muito altas, ou seja, fizeram da sua necessidade um motivo de serem desonestos.

Já desanimada, cansada de tanto procurar a Honestidade, fui acessar as redes sociais para vê se alguém a teria visto. Foi frustrante! Ninguém estava preocupado com ela, passavam a maior parte do tempo com a Vaidade, o Egoísmo e a Ingratidão e, quando indagadas sobre a Honestidade, me diziam que eu estava perdendo tempo, ela tinha ido embora.

Depois de tanto procurar decidi andar um pouco. Caminhei pelas ruas me perguntando se a Honestidade tinha ido embora e se perdi meu tempo tentando acha-la. Então, quando eu estava dobrando a esquina encontrei a Honestidade. Ela não tinha ido embora. Corri para abraçá-la e indaguei onde estava. Ela me respondeu: — Em todos os lugares que eu passava a Desonestidade já estava. E todos a recebiam de bom grado, justificando esta amizade porque estavam passando por necessidades, sofrendo com os roubos e as injustiças, o que os levaram a se afastarem de mim. Pensei em ir embora definitivamente deste lugar, mas logo encontrei pessoas que me procuravam, que me amavam e lutavam com todas as forças para me terem do seu lado, mesmo sofrendo necessidades.

 Meu coração se encheu de alegria ao perceber que eu não era a única a procurar a Honestidade, que muitos ainda a estimavam. Assim, encorajada por minha amiga Honestidade, segurei a sua mão e, para nossa surpresa, apareceu uma grande amiga para caminhar conosco: a Esperança!

  • Pois zelamos o que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.”   Apostolo Paulo – 2 Coríntios 8:21
  • “Todos nós sabemos o que é uma ação desonesta, mas o que é a honestidade, isso, ninguém sabe”.   Anton Tchekhov.
  • “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Rui Barbosa.
  • “O justo anda na sua integridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele.” Salomão – provérbios 20:07
  • Ajuntar tesouros com língua falsa é uma vaidade fugitiva; aqueles que os buscam, buscam a morte.” Salomão – Provérbios 21:06.
  • “Fazer justiça e julgar com retidão é mais aceitável ao Senhor do que oferecer-lhe sacrifício.” Salomão – Provérbios 21:03.
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About Yara Regina

Assistente Social, formada pela Universidade Federal do Piauí, pós-graduada em Gestão Social com habilitação em Docência do Ensino Superior, é natural de Teresina Piauí, mora atualmente em Cavalcante - GO, é assessora de gabinete da Secretaria Municipal de Assistente Social. Como cristã é ministra de louvor, professora de classe de crianças e também cooperou como assistente social na Instituição Centro Integrado da Criança e do Adolescente Cordeiro do Reino - CINCACRE, durante 07 anos e escreve para o Infosol e para o blog pregandocomamusica.blogspot.com.br. Recentemente, está se congregando na Igreja Presbiteriana do Brasil em Cavalcante. Principais livros: Bíblia e Crônicas de Narnia Principal atividade: música ( canto)

There is one comment

  1. Ivani Medina

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    O homem não foi feito para mentir. Daí a invenção do polígrafo. No entanto, quando iniciei a minha pesquisa histórica acerca da origem do cristianismo senti-me profundamente incomodado com a historiografia oficial. Percebi prontamente que essa historiografia está seriamente contaminada pela fé. O acatamento da Bíblia não é científico. Claro que o propósito da nossa cultura era lastrear a fé cristã e fortalecê-la constantemente. Para isso, serviu-se da história como um mero instrumento utilitário de convencimento. Se a Igreja dissesse que preto era branco, todos tinham que acreditar piamente. Especialmente os professores, que eram sustentados por ela. Não havia escola que não fosse cristã.

    Não é difícil imaginar o resultado disso séculos a fio. Desse modo, o absurdo passou a se tornar natural, pois a proteção à fé estava acima de tudo. É ai que surge uma questão moral da maior relevância pela sua contradição: a obrigação da academia seria zelar pelo ensino honesto de história [a honestidade é um dos valores basilares do cristianismo] ou dar guarida às necessidades da religião, por mais justificável que isso possa parecer?

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