Valentina do MasterChef Junior e as duas faces conflitantes de nossa sociedade

Um assunto que permeou bastante as redes sociais ultimamente foi a polêmica sobre a Valentina, participante do reality MasterChef Junior.

Alguns tarados — sim, tarados — resolveram mostrar seus piores lados falando sobre a tal criança. Que ela é linda, não há dúvidas. Mas trata-se de uma criança, portanto ela é apenas linda, e o que mais se pode acrescentar é que se trata de uma exímia Chef — de repente pode seguir uma carreira de sucesso em cozinhas de restaurantes renomados. Entretanto o fato dela ser uma criança não foi impedimento suficiente para que até pedissem, via twitter, que ela enviasse fotos nuas. Isso beira [a décima quinta] fronteira do absurdo.

Como muitas pessoas desse Brasil fiquei chocado com essa reação impudica e pedófila. Entretanto essa polêmica me lembrou de uma segunda face de nossa sociedade que é basicamente o contrário do sentimento de nojo perante marmanjos que não se seguram na internet.

A outra face a que me refiro se trata dos libertinos, liberais até demais. Esse pensamento libertino impregnou-se a tal ponto na nossa sociedade que já não é tão difícil encontrar exemplos de crianças de 12 anos mantendo vidas sexuais ativas. E 12 anos é a idade da Valentina. Essa face da sociedade nos faz hoje achar estranho quando alguém, depois dos 18 anos, ainda se diz virgem — e a estranheza não é de admiração e sim de reprovação pelo fato da pessoa ainda não estar aproveitando a vida.

O tal pensamento libidinoso se impregnou a tal ponto que eu, pessoalmente, já vi várias pessoas falando que vão orientar — daqui a uns anos — seus pequenos filhos a preferirem fazer sexo em casa, e o máximo que vão interferir é pedir pra gemer baixo porque o pai ou a mãe quer dormir. Já ouvi de um pai dizer que vai ensinar a filha e exigir que o namorado pague o motel, porque pelo menos isso o namoradinho dela vai ter de fazer.

Uma coisa em comum em todos esses discursos: nenhum definiu uma idade à qual vai começar a orientar os filhos, deixando implícito que basta que os mesmos iniciem a efervescente adolescência. E levando-se em conta que crianças de 10 a 11 anos já estão bem avançados na adolescência nos nossos dias, não é espantoso que as mesmas pratiquem sexo com frequência já desde cedo — e por consequência, engravidem cedo.

Voltando ao caso da Valentina, aí estão duas faces da sociedade que se esbarram nesse ponto: uma que diz que meninas de 12 anos não só podem, mas — se desejarem — devem fazer sexo (com quantos quiserem/conseguirem); a outra face está estupefata pela sexualização de uma criança. Me pergunto, dentre os que ficaram estupefatos, quantos são liberais até demais?

Ah… mas você entendeu errado! O que casou a comoção foi a pedofilia! — de repente um de vocês poderia me presentear com essa afirmação. Minha resposta: tomara que não!

Se a reação nesse acontecimento gira em torno mais da idade dos rapazes em vez da sexualização da criança, posso dizer que a sociedade está ainda mais perdida do que eu imagino — e é bem provável que esteja, dado que sou um bocado inocente.

Neste caso, estaria tudo bem se os autores dos tuítes fossem garotos de 12 a 15 anos? Seria no máximo 3 anos de diferença, daí exclui-se a pedofilia.

Bem, pelo menos para mim, toda essa comoção serve como mais um exemplo para prestarmos bem atenção no caminho que estamos seguindo em nossa relativização de valores e na aquisição de libertinagem sem fim. Independente da idade, ou de qualquer coisa, a Valentina e várias outras meninas e meninos, crianças e adolescentes, estão sendo doentiamente sexualizados, e os tais tuítes de tarados não passam de frutos do que nós mesmos estamos plantando.

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About Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

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