É golpe? É revanche? Não, é a Constituição!

Tema bombástico do momento. Melhor dizendo, histórico. Eduardo Cunha nessa semana finalmente aceitou o pedido de Impeachment contra Dilma — preste bem atenção na oração anterior, mais especificamente na palavra FINALMENTE.

Sim queridos, o pedido já estava lá desde o início do ano. Na verdade não o mesmo, mas vários foram submetidos para o crivo de Eduardo Cunha por meses durante esse ano. O Presidente da Câmara simplesmente negava os pedidos, dando alguma desculpa técnica. E então novamente chegava outro pedido com ainda mais detalhes e acusações contra a Presidente.

Todo esse trâmite não foi escondido de ninguém. Em resumo Cunha tentou elevar seu poder político enquanto levava pauladas e mais pauladas do PT. De início até estava conseguindo se erguer, mas parece ter decidido torturar o Governo, lentamente. Não contava — parecia — que viessem a descobrir alguns podres seus. E o torturado passou a torturar também.

Então ambos — Governo e Cunha (digo Governo porque a Dilma é apenas uma ponta do Iceberg nos planos do PT) — olhando para o inevitável esfacelamento de seu poder caso continuassem a mútua agressão decidiram por arranjar uma maneira onde nenhum deixaria o outro irrevogavelmente prejudicado. A mando do PT alguns deputados não votariam contra o Cunha no Conselho de Ética. Em contrapartida Cunha não aceitaria os pedidos de Impeachment — e como o STF lhe havia outorgado poder de sobra nessa questão, o plano parecia perfeito. A briga continuaria, mas nenhum cairia por enquanto. Venceria aquele que aguentasse mais tempo, ou fosse mais esperto. Quais cartas na manga cada um continuaria tendo, não se sabe — eu pelo menos não sei.

De repente os deputados que deveriam votar a favor de Cunha — como disse Reinaldo Azevedo — decidiram pagar pra ver o que faria o Presidente da Câmara. Não tendo sido fechado o acordo, Cunha continuou com o que disse que faria, e que não passava de sua obrigação — o que deveria ter feito há muito tempo atrás.

O pedido de Impeachment, cujo um dos autores é fundador do PT, foi finalmente aceito. E o Governo incendiou. Alerta Vermelho!

Esse pedido, leitores, está previsto na Constituição. Portanto é totalmente legal e está longe de ser golpe ou golpismo. Se assim o fosse, o próprio PT seria o partido mais golpista da história do Brasil, uma vez que eles pediram o Impeachment de todos os presidentes eleitos desde o fim da década de 80 até a eleição de Lula. E ainda conseguiram impedir o mandato de um deles, a saber o de Collor.

Tudo bem, não é golpe, mas é revanchismo. Um de vocês pode apelar.

Revanchismo se daria, neste caso, apenas em segunda análise, e parcialmente. Foi neste ano que movimentos populares fizeram marchas históricas contra o Governo. E pautado nessa revolta da população é que surgiram os pedidos de impedimento. Bastava o Presidente da Câmara aceitar, para então se iniciar o processo. Iniciado o processo não garante o impedimento da Presidente. Apenas se forem constadas verdadeiras as acusações.

Mas como disse, em segunda análise sim, foi [quase] revanchismo. Pois Eduardo Cunha esteve utilizando desse seu poder como moeda de troca com o Governo. Não foi fechado o acordo, e ele precisava dizer seu parecer sobre o pedido. E finalmente decidiu agir mais duramente contra o Governo, em vez de paulatinamente torturá-lo.

De qualquer forma isso não diminui em nada o processo de impedimento, uma vez que esse é o anseio da maioria da população. E é do povo que emana o poder.

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About Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

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