A religiosidade pontual

Nesta semana será celebrada a Semana Santa, cuja sexta-feira abriga um costume peculiar: não consumir carne vermelha.

Diante do que se viu nos noticiários sobre as carnes, esse costume tornou-se até atrativo. Entretanto este não é o foco desse texto. O que quero chamar atenção no tal costume é sobre a religiosidade que ele carrega consigo.

Explicando melhor, o foco está sobre o sentimento de saciedade espiritual que muitas pessoas sentem com um mínimo de religiosidade. Para isso vamos um pouco — bem pouco mesmo — mais fundo na questão da Sexta-feira Santa.

O costume em si, para os mais devotos, está atrelado aos jejuns durante o período da Quaresma, ou seja, quarenta dias a partir da Quarta-feira de Cinzas. E este último dia citado é um ponto-chave para este post, pois acontece justamente após o Carnaval. E não preciso mencionar aqui o que todos sabem que acontece durante o carnaval. Mas uma palavra resume bem: pecado. Melhor dizendo, duas palavras resumem: MUITO PECADO.

Uma definição razoável do que é pecado é tudo aquilo que desagrada a Deus, ou tudo aquilo que nos afasta de Deus. Mas o que é esse tudo aquilo? Para saber é necessário procurar no lugar em que Deus escolheu se manifestar para nós humanos: Bíblia. Lá é possível encontrar todas as informações necessárias para se saber o que é pecado e quais atitudes são consideradas pecado.

Observando uma das definições de pecado no parágrafo anterior, algo fica bastante evidente: o pecado nos afasta de Deus. E uma vez que Ele é o único capaz de preencher verdadeiramente nossas vidas, quanto mais pecados cometemos, é natural que se torne latente mais e mais uma carência espiritual.

Quando estamos com sede, procuramos água para beber. Se não encontramos, continuamos procurando. Mas chega um momento em que a sede pode estar tão severa que qualquer líquido, por mais repulsivo que seja, nós ingerimos para um pouco de alívio. Da mesma forma é com a espiritualidade. Enquanto bebemos da fonte verdadeira, continuamos saciados e sadios. Mas se nos afastamos ao ponto de ficar bastante difícil de encontrar a fonte verdadeira, bebemos de qualquer coisa para alívio enquanto não achamos água. O problema, neste caso, está em contentar-se com esse alívio e deixar de procurar a fonte de água.

E o contentamento com o alívio é que eu chamo de religiosidade pontual. Ou seja, alguém que possui necessidade de aproximar-se de Deus, mas basta que ouça uma única música gospel, ou abra a Bíblia no Salmo 91, ou reze parte de um terço, ou participe de um culto/missa uma vez no semestre, ou apenas publique a foto de uma Bíblia para mostrar às demais pessoas uma falsa piedade, para se sentir de bem com Deus. E uma vez que isso tenha acontecido, vai se repetir daqui a três semanas, dois meses, um semestre, um ano, etc.

Imagine então uma pessoa em estado deplorável, morrendo de sede, bebendo do esgoto e se contentando com isso. O caso piora quando percebe-se que essa pessoa sabe que se andar mais uma dezena de metros vai achar água potável em abundância.

Da mesma forma são as pessoas que vivem de religiosidade pontual. Estão se matando aos poucos. Sua salvação não está longe, mas elas preferem seu péssimo estado espiritual e se contentam com os alívios que nada mais são que versões podres e maléficas do bem verdadeiro.

Continue sua imaginação. Agora veja a pessoa que bebe esgoto se sentindo ofendida quando outras pessoas vêm das fontes abundantes de água potável dizer-lhe para sair dali e beber água de qualidade.

Da mesma forma são as pessoas que vivem de religiosidade pontual, mas são alertadas de sua má conduta. E em vez de partir e buscar verdadeiramente a Deus, se sentem religiosamente ofendidas e continuam como estão.

O que quero com isso é que, caso você leitor seja um religioso pontual, veja através de uma simples alegoria como você provavelmente está, e como é maléfico para você mesmo o seu próprio comportamento. Ainda, uma vez que você chegou até esse post, e até aqui no texto, significa que Deus está ativamente te levando para tomar da fonte verdadeira, mas você precisa de um autoexame para perceber que, por enquanto, tudo o que você vem consumindo espiritualmente não passa de esgoto.

Portanto, abra os olhos, examine sua vida, e veja se você tem se contentado com o esgoto, ou se você tem de fato buscado beber da fonte de água viva.

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About Evandro J.R. Silva

É Doutorando em Ciência da Computação. Convertido desde os 6 anos de idade, a partir dos 15 anos começou a ler e estudar a Bíblia autodidaticamente. É membro de uma Igreja Batista. Gosta bastante de jogos eletrônicos e de ler, principalmente sobre apologética e literatura fantástica. Tem como gosto musical preferido o metal sinfônico.

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